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Pena Justa: Organizações parceiras denunciam falhas no plano de São Paulo para o sistema prisional

O Instituto Pro Bono, em conjunto com a Conectas Direitos Humanos, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), protocolou uma manifestação no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 347, que acompanham enquanto amici curiae. O documento alerta para graves lacunas e inconsistências no plano elaborado pelo estado de São Paulo para enfrentar o “estado de coisas inconstitucional” nas prisões.

Como o estado que concentra a maior população carcerária do país, São Paulo é visto pelas entidades como estratégico para o sucesso do plano nacional “Pena Justa”. No entanto, a análise das organizações revela que o planejamento estadual falha em pontos críticos de transparência, participação e adesão à realidade.

Manifestação ADPF 347 – Pena Justa – 2026

 

Resultados “artificiais” e falta de transparência

Um dos pontos mais alarmantes apontados é a superestimação de resultados. O estado de São Paulo alega ter cumprido ou estar cumprindo cerca de 2/3 das metas estabelecidas em apenas 12 meses. Para as organizações, essa avaliação é prematura, carece de rigor metodológico e não apresenta documentação comprobatória que sustente tais afirmações.

Na manifestação protocolada no Supremo, as organizações signatárias trazem uma tabela com incongruências que demonstram o descompasso entre o que o estado de São Paulo alega em seu plano e a realidade das unidades prisionais.

 

Essas falhas, segundo o documento, ilustram uma “superestimação artificial de resultados” por parte da administração estadual.

 

Exclusão da Sociedade Civil

Outra crítica central é a ausência de participação social. O Comitê Estadual foi composto sem a previsão de inclusão da sociedade civil, de egressos ou de familiares de pessoas presas. Além disso, propostas apresentadas em audiência pública pelas organizações não foram incorporadas ao documento final.

O que as organizações defendem

Diante desse cenário, o Instituto Pro Bono e seus parceiros solicitaram ao STF:

  1. O reconhecimento do descumprimento parcial das decisões da Corte pelo estado de São Paulo.
  2. O ajuste imediato das inconsistências identificadas.
  3. A garantia de espaços permanentes de diálogo e participação social no monitoramento das políticas penais.

A superação das violações de direitos fundamentais no sistema prisional exige um monitoramento rigoroso e transparente, que vá além dos relatórios burocráticos e reflita a real urgência da pauta.

Leia a manifestação completa aqui.

Manifestação ADPF 347 – Pena Justa – 2026

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