O Prêmio Luiz Gama, criado em 2010, é conferido pelo Instituto Pro Bono como forma de reconhecimento público à pessoa física ou jurídica que tenha se destacado por seu comprometimento e dedicação à causa da advocacia solidária e de interesse público, democratização do acesso à Justiça e incentivo à prática da advocacia pro bono. O prêmio leva o nome do grande advogado abolicionista, Luiz Gama.
Luiz Gama, o advogado negro
Luiz Gama (1830-1882)
Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador em 21 de junho de 1830, filho de um fidalgo português e de Luiza Mahin, africana livre da nação nagô, oriunda da Costa da Mina.
De sua mãe, que participou de diversas insurreições de escravos, Luiz Gama herdou a personalidade indomável e apaixonada. Já seu pai, arruinado pelo jogo, o vendeu ilegalmente como escravo, aos 10 anos de idade.
Embarcado para o Rio de Janeiro, Gama foi vendido a um traficante paulista. Ao chegar em São Paulo, ninguém o comprou devido à má fama dos escravos baianos. Acabou sendo utilizado como escravo doméstico numa fazenda em Lorena, interior do estado de São Paulo.
Aprendeu a ler e a escrever apenas aos 17 anos. E, em 1848, conscientizando-se da ilegalidade de sua condição, fugiu de seu cativeiro e foi para a cidade de São Paulo. Na capital paulista, veio-lhe a inspiração para estudar Direito e defender em juízo a vida e a liberdade da imensa população de negros escravos.
Tentou matricular-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, mas foi repelido pelos demais estudantes. Frequentou o curso como ouvinte, mas nunca chegou a se graduar.
Acabou se tornando advogado provisionado e, como rábula, passou a maior parte de sua carreira levando aos tribunais causas cíveis de liberdade. Luiz Gama atuou brilhantemente na libertação dos escravos de forma gratuita e voluntária. Sozinho e exclusivamente pelo o uso da lei conseguiu libertar nos tribunais mais de 500 cativos.